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Última Atualização: 01/Setembro/2010 - 00:32

Candidato do PT, Mercadante quer investir no interior de SP
Autor: Jornal O Vale | 05/Julho/2010 - 15:46

Confira abaixo a entrevista do candidato do PT ao governo do Estado de São Paulo, senador Aloizio Mercadante, publicada na edição de domingo (04/07) do jornal O Vale:


Candidato do PT, Mercadante quer investir no interior de SP

Se for eleito governador, ele garante que irá duplicar a rodovia
dos Tamoios e criar a Região Metropolitana do Vale

O candidato do PT ao governo de São Paulo, Aloizio Mercadante, 56 anos, promete criar conselhos de desenvolvimento nas regiões administrativas do Estado com o objetivo de garantir mais autonomia aos municípios e ‘interiorizar’ o desenvolvimento econômico.
“Também pretendemos criar incentivos fiscais voltados para a vocação econômica de cada região para alavancar o desenvolvimento no interior do Estado”, afirmou o petista em entrevista exclusiva concedida a O VALE e distribuída à APJ (Associação Paulista de Jornais), rede que integra os 14 principais jornais do interior do São Paulo.
O senador prometeu duplicar a rodovia dos Tamoios, criar a Região Metropolitana do Vale e construir o Hospital Regional do Litoral Norte. “São projetos estruturantes e que permitirão ao Vale dar um salto de qualidade e de desenvolvimento.”
Na entrevista, Mercadante criticou o desempenho dos governos do PSDB nas áreas de Saúde, Educação e Segurança Pública e demonstrou confiança em reverter a liderança folgada de Geraldo Alckmin (PSDB) nas pesquisas eleitorais.
A entrevista com Mercadante dá continuidade à série com os candidatos ao Palácio dos Bandeirantes, aberta com Geraldo Alckmin. No próximo domingo, será a vez de Paulo Skaf (PSB).


Leia abaixo os principais trechos da entrevista de Aloizio Mercadante (PT) a O
VALE.
O que motivou o senhor a disputar de novo o governo de São Paulo?
Como líder do governo Lula, pudemos fazer muito pelo Brasil. O país hoje tem estabilidade econômica e crescimento acelerado. Geramos uma quantidade recorde de empregos, distribuímos renda, tiramos 23 milhões de pessoas da
pobreza e criamos uma liderança internacional que nunca tivemos.Todo esse trabalho fortaleceu minha convicção de que o que deu certo em Brasília vai dar certo em São Paulo e do que fizemos no governo Lula podemos fazer também em São Paulo. E tenho também a convicção de que como governador posso
fazer mais ainda por São Paulo.

Quais foram as principais conquistas de seus mandatos como senador e dos governos Lula para São Paulo?
A retomada do crescimento. Temos 1 milhão e 100 mil famílias recebendo Bolsa-Família, o salário mínimo cresceu 74% em termos reais e poder de compra e hoje atinge 26 milhões de pessoas e boa parte delas está no Estado de São Paulo.Trouxemos várias universidades federais e escolas técnicas federais para São Paulo e também ajudamos a viabilizar os grandes projetos do Estado, como a modernização da Revap, a construção do Rodoanel e a expansão do metrô.

E no Vale do Paraíba?
O apoio que demos ao Parque Tecnológico de São José dos Campos. O governo federal repassou R$ 494,8 milhões, cinco vezes mais recursos do que os governos municipal e estadual. Temos a modernização da Revap, que é um projeto estruturante e que vai trazer benefícios para todo o país, a plataforma de gás que fizemos em Caraguatatuba, a expansão do gasoduto que vai aumentar a competitividade e a eficiência da economia do Vale. Geramos 158 mil empregos no Vale e repassamos R$ 441 milhões.

Em relação ao Trem-Bala, o que está previsto para o Vale?
O Trem-Bala será o grande eixo do desenvolvimento econômico de São Paulo e do Brasil. Se eleito, vou dar prioridade ao transporte ferroviário. Então, o Trem-Bala tem que ser Campinas, São Paulo, São José dos Campos necessariamente e indispensavelmente, Aparecida e Rio de Janeiro. O Vale terá um salto em termos de qualidade de vida, agilidade, investimentos e eficiência econômica. Tenho defendido junto ao governo que a estação de manutenção vá para Jacareí e a sede administrativa da empresa estatal seja em São José dos Campos.

Caso seja eleito, o que pretende fazer de diferente em relação aos governos do PSDB?
Vou investir em transporte ferroviário e acabar como abuso dos pedágios. Vou interiorizar o desenvolvimento do Estado porque temos hoje 440 cidades que têm só 5% do PIB do Estado e isso está levando ao esvaziamento demográfico e a uma concentração indevida na periferia da Grande São Paulo e da Grande Campinas. Então, precisamos revitalizar essas economias criando conselhos de desenvolvimento econômico e social em cada uma das regiões administrativas,dando incentivo fiscal para aquilo que é a vocação econômica de cada região para atrair empresas e investimentos. Vou enfrentar com muita coragem, vontade e determinação a necessidade de melhoria da qualidade das
políticas públicas, especialmente na Educação, Segurança Pública e Saúde. No Vale, as principais reivindicações são novamente a criação da Região Metropolitana, a duplicação da rodovia dos Tamoios, a ampliação do Porto de São Sebastião, o prolongamento da Rodovia Carvalho Pinto até pelo menos Aparecida e a construção do Hospital Regional do Litoral Norte? Caso eleito, o senhor assume compromisso de realizar essas obras? Já assumi e é uma plataforma indispensável para o Vale, que terá todo o meu apoio e meu compromisso. A Tamoios, por exemplo, é um projeto estruturante para o Vale. Não só porque o Litoral Norte é uma área de lazer fundamental para a população de São Paulo, mas também porque vamos precisar revitalizar o Porto de São Sebastião. Além da duplicação, vou fazer as alças de acesso a Caraguatatuba e São Sebastião.

O seu adversário, Geraldo Alckmin, foi governador e não duplicou a Tamoios. Agora, promete novamente a obra. O senhor acha que a população pode confiar de novo esta promessa?
Acho que a população não confia e a pesquisa que o próprio jornal O VALE fez mostra isso. Mas confia no nosso compromisso porque, no governo Lula, tudo que prometemos, nós fizemos. Esse é o passaporte para vencermos a eleição em São Paulo.

O senhor acha possível duplicar a Tamoios em quatro anos?
Vai ser o compromisso prioritário do meu governo para o Vale. Seguramente que é possível fazer a obra em quatro anos de governo. Não sei o que vou encontrar. Se tiver projeto executivo pronto, será muito mais fácil. Vamos trabalhar para incluir a obra no PAC 2 para ter, inclusive, recursos disponíveis do PAC 2.

Se neste governo não for concretizada a transformação do Vale em região metropolitana, o senhor pretende fazer essa mudança administrativa?
O Alckmin e o PSDB não reconheceram a Região Metropolitana do Vale, que tem ser feita com uma Agência de Desenvolvimento,um Fundo de Desenvolvimento e um Conselho de Desenvolvimento Regional. Vou fazer isso logo no início do meu governo. Vou encaminhar o projeto para a Assembléia e vou sancionar a lei. O Vale é estratégico para o Brasil e tem que ter projetos estruturantes, que o governo Mercadante assumirá e irá fazer.

O senhor tem sustentado que a população de São Paulo quer mudança porque o modelo de 16 anos de governos do PSDB já estaria esgotado, mas o candidato tucano Geraldo Alckmin aparece com pelo menos 50% nas pesquisas. Não é uma contradição?
Hoje, 80% dos eleitores de São Paulo ainda não têm candidato a governador. É muito cedo e não tem ainda clima de eleição. Na hora que começar a campanha, vamos mostrar que o que deu certo como Lula no Brasil vai dar certo como Mercadante em São Paulo. Estou muito mais amadurecido e preparado e sei como governar. Em2006, só tinha o apoio de três partidos e hoje são 11. Está na hora de mudar. O Alckmin já ficou 12 anos no governo e agora mais um ano e meio como secretário. Quando você faz uma pesquisa e
Eles prometem a duplicação da Tamoios, ninguém mais acredita no Vale. Porque prometeram isso a cada eleição e não fizeram. Diferente do governo Lula, que nós apresentamos o PAC e as obras estão sendo feitas. Estamos entregando o que nos comprometemos a fazer.

Como vencer um candidato que tem mais de 50% das intenções de voto?
O Alckmin tem 50% em um eleitorado muito pequeno que já escolheu, porque 80% do eleitorado ainda não têm candidato e as pesquisas mostram isso. Na eleição para a Prefeitura de São Paulo em 2008, o Alckmin saiu com 45% de intenções de votos, chegou com 22% e não foi nem para o segundo turno. Na hora que começar o debate e as pessoas começarem a fazer a comparação entre o que está sendo feito e o que vamos propor, esse quadro mudará. Porque vamos fazer uma campanha propositiva, que vai entusiasmar o eleitorado e venceremos a eleição. Quando começar a campanha, vamos mostrar o que fizemos pelo Brasil, o que ajudei a construir no Brasil e em São Paulo e vamos mostrar que farei isso em São Paulo se for eleito governador do
Estado.

Qual será sua estratégia de campanha?
Fazer uma campanha com propostas. Tudo que disse aqui que vou fazer para o Vale, vou demonstrar que é possível fazer. Com propostas consistentes, bem
pensadas e estruturantes para dar um salto de qualidade no Vale e no Estado.
Em 2006, a campanha do senhor ao governo foi arranhada pelo caso dos dossiês contra o seu adversário José Serra. Acredita que o PSDB pode usar esse episódio para desgastar sua campanha?
O prejuízo que tive naquela campanha é irreparável, mas o Ministério Público Federal disse que não havia nenhum envolvimento meu naquele episódio e o Supremo Tribunal Federal votou por unanimidade, arquivando e anulando o processo. O que o senhor aprendeu com a derrota de 2006 para essa nova disputa pelo governo paulista?
Espero que a militância do PT, que é muito aguerrida e tem um grande sentimento de justiça, não tente fazer justiça com as próprias mãos como tentaram fazer naquele episódio.




NOME COMPLETO
Aloizio Mercadante Oliva

NATURALIDADE
Santos
DATA DE NASCIMENTO
13 de maio de 1954

FORMAÇÃO
Economia pela USP (Universidade de São Paulo)

ESTADO CIVIL
Casado com Maria Regina. Eles têm dois filhos: Mariana e Pedro

TRAJETÓRIA POLÍTICA
Foi um dos fundadores do PT em 1980.
Em 1989 e 2002, coordenou a campanha de Luiz Inácio Lula da Silva à presidência da República.
Em 1990, foi eleito deputado federal.
Em 1994, foi candidato a vice na chapa encabeçada por Lula na disputa pela presidência da República.
Em 1998, foi eleito novamente deputado federal.
Em 2002, chegou ao Senado com votação recorde.
Na Casa, foi líder do governo e atualmente é o líder do PT.
Mercadante também já foi candidato ao governo de São Paulo em 2006, mas naquela ocasião perdeu para José Serra (PSDB) no primeiro turno

PARTIDOS DA COLIGAÇÃO PETISTA
PDT, PTN, PSDC, PRP, PSL, PT do B, PC doB, PR, PRB, PPL e PTC

CANDIDATO A VICE
Antônio Clóvis ‘Coca’ Pinto Ferraz (PDT), que é professor da USP (Universidade de São Paulo) de São Carlos. Ele é especialista na área de Transportes


PRINCIPAIS PROPOSTAS DO PROGRAMA DE GOVERNO

SAÚDE
- Fortalecimento do SUS em parceria com o governo federal
- Implantação de Unidades de Pronto Atendimento e ampliação do programa de ambulâncias do Samu
- Investimento na medicina preventiva
- Ampliação do número de especialistas, principalmente nas cidades do interior
- Aumento do número de equipamentos e aparelhos nos hospitais do Estado
- Construção de um Hospital Regional no Litoral Norte

EDUCAÇÃO
- Implantação progressiva do ensino de tempo integral, tanto na educação profissional quanto na educação profissionalizante
- Ampliação da rede de pré-escolas noEstado
- Revisão do sistema de progressão continuada através da retomada da avaliação dos alunos
- Investimento na formação dos professores
- Implantação de computadores e banda larga nas escolas, ampliando a inclusão digital

SEGURANÇA PÚBLICA
- Aumento do policiamento ostensivo nas ruas, garantindo uma maior integração como sistema de policiamento comunitário nas cidades paulistas
- Ampliação do investimento nos setores de inteligência policial e de investigação criminal
- Reestruturação do sistema prisional para conter o crescimento das facções nas penitenciárias

TRANSPORTES
- Duplicação de rodovias estruturantes como a Tamoios, com construção dos contornos viários de Caraguatatuba e São Sebastião
- Extensão da Rodovia Carvalho Pinto até Taubaté, na ligação com a Rodovia Oswaldo Cruz
- Incentivo e aumento do investimento em transporte ferroviário com apoio ao Trem-Bala e implementação de trens rápidos nas principais regiões do interior
paulista
-Recuperação e melhoria das estradas vicinais

GERAÇÃO DE EMPREGO E RENDA
- Fomento e criação de parques tecnológicos no interior
- Criação de incubadoras de micro e pequenas empresas para estimular o empreendedorismo
- Criação de conselhos e fundos de desenvolvimento regional
- Implementação de incentivos fiscais para estimular a vocação econômica de cada região

FUNCIONALISMO
- Implantação de lei criando mesa permanente de negociação com o sindicato e os servidores de todos os setores da administração
- Valorização dos servidores com implementação de plano de carreira

EDUCAÇÃO PROFISSIONALIZANTE
-Ampliação das escolas técnicas federais, principalmente no interior, em parceria com a União
- Implantação, no ensino médio, do ensino profissionalizante em sistema de tempo integral



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