Vereador denuncia despejo de esgoto no córrego Vidoca Autor: Assessoria de Imprensa | 17/Junho/2009 - 10:30
Obra atrasada em pelo menos 1 ano gera despejo no trecho que desemboca no rio Paraíba do Sul, em São José dos Campos.
No trecho do Córrego Vidoca que desemboca no Rio Paraíba do Sul uma tubulação da Sabesp (Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo) lança esgoto sem tratamento no rio que é responsável pelo abastecimento de água de todas as cidades da região e da baixada fluminense.
O problema ambiental é resultado de atraso de pelo menos um ano no término de uma obra que deveria, justamente, colaborar para a despoluição do córrego. A obra foi iniciada pela companhia em 2005 com a promessa de tornar o córrego 'totalmente limpo e sem cheiro', de acordo com a própria Sabesp na época.
O serviço exigiu um investimento de R$ 58,4 milhões que foram financiados pela Caixa Econômica Federal. O objetivo era coletar o esgoto gerado nas regiões sul e oeste da cidade e despejá-lo na estação de tratamento do Lavapés, localizada na zona norte.
A Sabesp implantou todos os mais de 35 quilômetros da parte de coleta, denominados coletores-tronco, previstos na obra. Entretanto, não finalizou a construção da estação elevatória, localizada no Urbanova, atrás do condomínio residencial Esplanada do Sol.
A estação seria a responsável por encaminhar o esgoto coletado para a estação do Lavapés. Sem a estação elevatória, a emprresa construiu uma tubulação 'alternativa' que joga todo o esgoto coletado de volta no córrego. Ou seja, embora pareça mais limpo, aos olhos dos moradores que passam pela marginal do Vidoca, o córrego continua poluído e é um ponto de despejo de esgoto utilizado pela própria Sabesp.
A obra da Sabesp deveria ter sido finalizada no início deste ano, de acordo com o prazo informado pela própria empresa. A previsão era de implantação de 35,9 quilômetros de coletores-tronco, 18,1 quilômetros de linhas de recalque, 16 estações elevatórias de esgosto, 7,7 quilômetros de emissários e 34 quilômetros de rede de coletoras, além de 3.100 ligações domiciliares de esgoto.
O objetivo era jogar o esgoto na estação do Lavapés, inaugurada em 1998. A estação pode tratar cerca de 900 litros de esgoto por segundo.
Responsável desde a década de 70 pelo serviço de água e esgoto de São José, a Sabesp teve no ano passado o convênio renovado com a prefeitura por mais 20 anos.
Autor da denúncia de despejo de esgoto no córrego do Vidoca, o vereador Wagner Balieiro (PT) pretende acionar o Ministério Público para relatar o problema ambiental.
"Aos olhos da população, o córrego está limpo mas a verdade é que ele continua sujo como era antes de todo esse investimento", disse o parlamentar.
Segundo ele, as tratativas para execução dessa obra começaram em 2003. "É um abandono total. A Sabesp tinha proposta de despoluir o Vidoca e o que ela está fazendo é examente o contrário", afirmou.
No local onde deveria ter sido construída a estação elevatória, no Urbanova, na zona oeste, se vê um grande cratera coberta com lona preta.
Próximo à tubulação, o cheiro de esgoto é forte, muito maior que em outros trechos do córrego. É possível ainda ver uma diferença nítida entre a cor da água antes da tubulação poluidora e depois, quando encontra o leito do rio Paraíba do Sul.