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Última Atualização: 20/Janeiro/2011 - 16:46

Teclando ideias:
Por trás da propaganda
Autor: Wagner Balieiro | 18/Fevereiro/2010 - 10:38

Artigo publicado no jornal Valeparaibano, em 18 de fevereiro de 2010

Na edição do Valeparaibano de domingo, 7 de fevereiro, foi publicada uma matéria dizendo que a primeira estação de conexão dos ônibus está para ser concluída e outras quatro começam a ser construídas neste ano. A propaganda, porém, não mostra que o contrato não está sendo cumprido pelas empresas e a administração municipal.
Nos editais que definiram o novo modelo de transporte público na cidade, especificamente no Anexo 1B, entre as páginas 69 e 72, consta que a partir do SEGUNDO ANO DE OPERAÇÃO, TODAS as 12 estações de conexão e a readequação da rodoviária velha deveriam estar em funcionamento.
As empresas que operam os lotes 2 e 3 (Maringá e Júlio Simões) assinaram contrato em 17 de abril de 2008, ou seja, pelo menos 10 estações deveriam estar funcionando desde abril de 2009. Considerando o mês de início da operação, agosto de 2008, o prazo deveria ser agosto de 2009.
As estações de conexão são necessárias para a implantação total do bilhete único, o que vai beneficiar milhares de pessoas e acabar com o absurdo custo do transporte. Hoje, há casos em que o passageiro gasta R$ 10 ou mais por dia para ir ao trabalho.
Assim como as estações não foram construídas no prazo, outros itens previstos nos editais, como o disque-usuário e o atendimento descentralizado para venda de passes, não estão sendo cumpridos.
As empresas também estão lucrando, e muito. Na escolha da companhia que substituirá a Capital do Vale, a prefeitura lançou edital constando que a empresa vencedora, assim como as atuais, praticamente terão lucro alto e garantido. A estimativa é que a cada mês de 1,5 a 1,6 milhão de passageiros equivalentes (que pagam R$ 2,50) sejam transportados por cada empresa. Com base neste dado presente na página 39 do edital, a expectativa é de uma receita anual em torno de R$ 46 milhões.
O custo para operar o lote 1 é estimado em cerca de R$ 33 milhões. Conforme a página 232, tabela 6A, do edital, o lucro de cada companhia deve ser em torno de R$ 12 milhões por ano, cerca de 25% da receita total arrecadada.
Vale lembrar que a prefeitura poderia na licitação ter adotado como vencedora a empresa que oferecesse menor tarifa. Mesmo com recursos mais do que suficientes, optou-se pela empresa que deu mais dinheiro à prefeitura. É triste saber que o valor recebido dessas empresas, quase R$ 10 milhões, seria justamente para a construção dessas estações, tão necessárias.
De Volta ao marketing da prefeitura, e ao que não foi dito, a primeira estação é uma obra relativamente simples com previsão de conclusão em 90 dias. Com valor próximo a R$ 300 mil, está há um ano em construção e ainda não está pronta. A falta das estações é uma clara omissão do poder público em suas obrigações, que traz vantagens apenas às empresas de ônibus e prejuízos à população.
Tudo isso leva à desconfiança sobre o real compromisso da administração municipal com o transporte. No episódio do aumento da passagem, por exemplo, a prefeitura chegou a um valor de tarifa ainda maior do que o pedido pelas empresas.
A atual administração tenta compensar a falta de competência com um esforço de marketing incrível. Esforço este que se empregado para melhoria de serviços poderia garantir um transporte público de qualidade, com ônibus maiores, mais confortáveis e tarifas mais justas. Quem sai perdendo é a cidade, que não vive de propagandas.

Wagner Balieiro é vereador e presidente eleito do PT de São José dos Campos



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