Artigos
Última Atualização: 13/Julho/2011 - 17:14 |
Teatro Invertido: Incompetência Fantástica
Autor: Wagner Balieiro | 16/Junho/2011 - 14:56 |
|
  |
São José dos Campos sempre foi lembrada em todo o país como a capital da tecnologia, “Terra do Avião”, conhecida por formar grandes engenheiros e abrigar importantes centros de pesquisa. Agora a cidade passou a ser conhecida também pelo descaso com os recursos da população e pela incompetência administrativa, marcas do governo do PSDB, que foi capaz de criar “um dos casos mais inusitados de desperdício de dinheiro público”: o Teatro Invertido.
No último domingo o programa Fantástico, da TV Globo, levou ao ar uma matéria sobre os “elefantes brancos”, obras públicas inúteis, inacabadas e que geram grande prejuízo à população. A construção do Teatro Municipal de São José, que teve a fundação feita de forma invertida e foi abandonada há três anos, teve destaque na reportagem feita pelo jornalista Marcelo Canellas, que nos procurou para apurar os fatos e que acompanhei ao local para a gravação das imagens.
Avaliada inicialmente em R$ 12 milhões, a obra começou em 2007 e deveria ter sido concluída no ano seguinte, mas foi interrompida às vésperas das eleições municipais de 2008. Na ocasião o governo tucano preferiu se omitir em relação às falhas do projeto e depois rescindiu o contrato com a empreiteira de forma amigável, aceitando o argumento de excesso de chuvas e falta de funcionários.
Em 2009 constatamos que a fundação havia sido feita com a frente virada para os fundos. Só com esse erro foram perdidos cerca de R$ 700 mil. Isso sem falar do pagamento de itens do segundo andar do prédio antes mesmo que as fundações estivessem prontas.
Naquela época, uma sindicância interna inocentou a empreiteira e concluiu que o erro foi causado pela desorganização da própria prefeitura. E a explicação dos tucanos, levada ao ar pela TV Globo, foi bastante simples: alguém virou a planta de cabeça para baixo. Incompetência Fantástica!
Principalmente se lembrarmos que essa mesma prefeitura é responsável por outros absurdos que foram destaque na imprensa regional como o pagamento por uma ponte invisível na avenida Fundo do Vale, a reforma de uma casa de bonecas com custo maior que o de moradias populares, falhas de projeto e construção em centros poliesportivos de todas as regiões, problemas nos viadutos Talim e Santa Inês e pela interminável construção do novo Fórum, há 6 anos em obras, entre outros.
Vale dizer que os tucanos tentaram sim dar prosseguimento ao Teatro Invertido, com custo estimado hoje em R$ 22,7 milhões. Primeiro fizeram uma licitação cheia de falhas, que não atraiu empresas de grande porte. Depois tentaram com a URBAM. O detalhe é que o próprio prefeito havia dito em um programa de rádio, algumas semanas antes, que a URBAM não teria capacidade para tocar grandes obras, como a do Teatro.
Os vereadores do Partido dos Trabalhadores - PT foram à Justiça, que impediu que o erro fosse encoberto e busca o ressarcimento dos cofres públicos. Agora a obra só pode ser retomada quando o processo terminar. Afinal, alguém tem que pagar essa conta.
Foi assim que a inversão do Teatro tornou-se um símbolo nacional do improviso, da má gestão, e que uma das cidades mais bonitas e ricas do Brasil, lamentavelmente, virou exemplo de má utilização dos recursos públicos em rede nacional. Porque não dá para improvisar com a coisa pública.
Na reportagem do Fantástico as atrizes Jacqueline Baumgratz e Caren Ruaro improvisam, elas sim com muita competência, um protesto cênico que reflete a justa indignação da população da nossa cidade: Será drama? Será tragédia? Só pode ser comédia!
Wagner Balieiro (PT), engenheiro, vereador e presidente do PT em São José dos Campos
Subir
|
|
 |
|